domingo, fevereiro 27, 2011

Gonzaguinha e a luta dessa juventude que segue em frente.


Há vinte anos um acidente de carro tirou Gonzaguinha (1945-1991) do convívio dos brasileiros mas sua música continua inspirando mentes e corações

Por José Carlos Ruy

Um acidente de carro ocorrido em Renascença, interior do Paraná, em 29 de abril de 1991, tirou do convívio dos brasileiros um dos compositores que havia se destacado, desde o inicio da carreira, na resistência à ditadura militar. Tinha 45 anos de idade e trazia, no nome, uma lenda – Luiz Gonzaga – e, no coração, a forte ligação com o povo. Era Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, filho do rei do baião e da cantora do Dancing Brasil, Odaléia Guedes dos Santos.

"Venho de Odaléia, uma profissional daquelas que furam cartão e de vez em quando sobem no palco; ela cruzou com meu pai e de repente eu vim", disse um dia.

Mal conheceu os pais na infância: perdeu a mãe quanto tinha dois anos de idade, e foi criado pelos padrinhos Dina e Xavier, que viviam no Rio de Janeiro, entre as calçadas de Copacabana e o morro de São Carlos. Só passou a conviver com o pai aos 16 anos de idade quando foi morar com ele para poder estudar.

Foi autor de uma série de canções que ecoam a resistência democrática, a luta pela anistia, a conquista de um Brasil dos brasileiros e para os brasileiros. O duro aprendizado das ruas e da luta pela vida (desde pequeno ganhava alguns trocados carregando sacolas nas feiras, por exemplo) inspirou canções que ficaram no coração do povo e também nos arquivos da censura.

Desde o inicio, com o sucesso de Comportamento Geral (1973), era um dos principais alvos dos homens da tesoura. Em uma ocasião, no inicio dos anos 70, submeteu ao DOPS (Departamento de Ordem Pública e Social) 72 canções das quais 54 foram proibidas, entre elas Comportamento Geral.

Pioneiro em turnês independentes pelo Brasil, descobriu a importância da obra do pai, e o reconhecimento popular que ela tinha – descoberta comemorada com um show memorável de 1981, "Vida de Viajante", que representou o reencontro destes dois gigantes da música brasileira.




O que é? o que é?

Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...
E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luxo e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

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domingo, fevereiro 27, 2011

Gonzaguinha e a luta dessa juventude que segue em frente.


Há vinte anos um acidente de carro tirou Gonzaguinha (1945-1991) do convívio dos brasileiros mas sua música continua inspirando mentes e corações

Por José Carlos Ruy

Um acidente de carro ocorrido em Renascença, interior do Paraná, em 29 de abril de 1991, tirou do convívio dos brasileiros um dos compositores que havia se destacado, desde o inicio da carreira, na resistência à ditadura militar. Tinha 45 anos de idade e trazia, no nome, uma lenda – Luiz Gonzaga – e, no coração, a forte ligação com o povo. Era Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, filho do rei do baião e da cantora do Dancing Brasil, Odaléia Guedes dos Santos.

"Venho de Odaléia, uma profissional daquelas que furam cartão e de vez em quando sobem no palco; ela cruzou com meu pai e de repente eu vim", disse um dia.

Mal conheceu os pais na infância: perdeu a mãe quanto tinha dois anos de idade, e foi criado pelos padrinhos Dina e Xavier, que viviam no Rio de Janeiro, entre as calçadas de Copacabana e o morro de São Carlos. Só passou a conviver com o pai aos 16 anos de idade quando foi morar com ele para poder estudar.

Foi autor de uma série de canções que ecoam a resistência democrática, a luta pela anistia, a conquista de um Brasil dos brasileiros e para os brasileiros. O duro aprendizado das ruas e da luta pela vida (desde pequeno ganhava alguns trocados carregando sacolas nas feiras, por exemplo) inspirou canções que ficaram no coração do povo e também nos arquivos da censura.

Desde o inicio, com o sucesso de Comportamento Geral (1973), era um dos principais alvos dos homens da tesoura. Em uma ocasião, no inicio dos anos 70, submeteu ao DOPS (Departamento de Ordem Pública e Social) 72 canções das quais 54 foram proibidas, entre elas Comportamento Geral.

Pioneiro em turnês independentes pelo Brasil, descobriu a importância da obra do pai, e o reconhecimento popular que ela tinha – descoberta comemorada com um show memorável de 1981, "Vida de Viajante", que representou o reencontro destes dois gigantes da música brasileira.




O que é? o que é?

Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...
E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luxo e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

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